Paciente oncológico recebe remédio importado por decisão judicial, desconfia de tratamento e polícia investiga falsificação
Paciente oncológico recebe remédio importado e polícia investiga falsificação Uma investigação da Polícia Civil do RS apura a autenticidade de um medica...
Paciente oncológico recebe remédio importado e polícia investiga falsificação Uma investigação da Polícia Civil do RS apura a autenticidade de um medicamento importado entregue a um paciente oncológico. O caso veio à tona após o homem perceber que o tratamento não apresentava os resultados esperados. A suspeita levou o paciente a procurar a Delegacia de Polícia de Proteção ao Consumidor, Saúde Pública e da Propriedade Intelectual (Decon). 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Segundo a apuração da reportagem, o homem havia iniciado um novo tratamento e recebeu prescrição de um medicamento que não é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O remédio foi obtido por meio de uma decisão judicial e importado por uma empresa de Itajaí, em Santa Catarina. Em nota, a Secretaria de Saúde de Nova Esperança do Sul informou que não adquiriu o medicamento e que ele foi enviado pela importadora diretamente à residência do paciente. Leia, abaixo, na íntegra. Após cerca de 20 dias utilizando a medicação, o paciente começou a desconfiar da eficácia do tratamento. Ele procurou o médico responsável, que observou uma incompatibilidade entre as cartelas recebidas e as características do medicamento que deveria ter sido fornecido. De acordo com o delegado João Paulo de Abreu, o paciente não conhecia anteriormente a apresentação do remédio, já que nunca havia utilizado aquela medicação específica. A suspeita surgiu somente após a avaliação médica. Paciente oncológico recebe remédio importado por decisão judicial e polícia investiga falsificação Divulgação/ Polícia Civil Investigação A partir do registro, a Polícia Civil deu início às diligências para verificar a origem e a autenticidade do produto. Durante a investigação, os policiais identificaram inscrições e características nas cartelas que chamaram atenção. Conforme a polícia, pesquisas realizadas em bancos de dados e em fontes comerciais no exterior indicaram semelhanças entre o material apreendido e um produto alimentício comercializado na China, descrito como uma "bala macia com sabor taro". Comparações fotográficas também apontaram coincidências entre os itens. "A gente percebe, não na embalagem, mas sim na cartela do medicamento, que havia dizeres e anotações que remetiam a um produto de origem chinesa", diz o delegado. Apesar dos indícios, a Polícia Civil ressalta que ainda não há confirmação sobre a composição do material. Os produtos serão submetidos à perícia do Instituto-Geral de Perícias (IGP), que deverá determinar se o conteúdo corresponde ou não ao medicamento prescrito. Nesta quarta-feira (7), os investigadores cumpriram um mandado de busca e apreensão na empresa que realizou a importação do produto, em Santa Catarina. O objetivo era verificar a atuação da empresa e buscar elementos que ajudassem a esclarecer o caso. Durante a operação, não foram encontradas novas unidades do medicamento investigado. "Documentos foram apreendidos para que a gente possa também entender o papel dessa empresa, se ela tem participação eventualmente numa importação, não digo fraudulenta, mas de medicações falsificadas, ou se ela também é vítima", ressalta o delegado. A investigação também busca identificar a cadeia de importação e distribuição do material e verificar se outros pacientes podem ter recebido produtos semelhantes. Caso seja confirmada a falsificação, o fato poderá ser enquadrado como crime contra a saúde pública, previsto no Código Penal. "Em princípio não temos suspeitos, não temos relatos de outros pacientes", comenta o delegado. A investigação segue em andamento e sob sigilo. O que diz a Secretaria de Nova Esperança do Sul "NOTA DE ESCLARECIMENTO A Secretaria Municipal de Saúde de Nova Esperança do Sul confirma que o paciente mencionado na reportagem é morador do município. Esclarece, porém, que a aquisição do medicamento ocorreu por meio de bloqueio judicial de valores, não tendo sido realizada compra diretamente pela Prefeitura, nem utilizados recursos próprios do Município. O medicamento foi fornecido por uma empresa localizada em Itajaí (SC) e entregue diretamente na residência do paciente." VÍDEOS: Tudo sobre o RS