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Pai com câncer deixa hospital em ambulância para abençoar casamento da filha após 95 dias de internação

Pai com câncer deixa hospital para abençoar casamento da filha após 95 dias internação Durante semanas, a contagem regressiva para o casamento de Gabrieli ...

Pai com câncer deixa hospital em ambulância para abençoar casamento da filha após 95 dias de internação
Pai com câncer deixa hospital em ambulância para abençoar casamento da filha após 95 dias de internação (Foto: Reprodução)

Pai com câncer deixa hospital para abençoar casamento da filha após 95 dias internação Durante semanas, a contagem regressiva para o casamento de Gabrieli Lira Lorandi, 30 anos, e Cássio Fernando Mello, 31, dividiu espaço com exames, quimioterapias, internações e momentos de incerteza. Enquanto a família tentava lidar com o diagnóstico de leucemia mieloide aguda recebido pelo pai da noiva, Remi Domingos Lorandi, 69 anos, uma data ganhava um significado cada vez maior para ele: 3 de outubro de 2026, dia em que a filha subiria ao altar em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. 🔍 A leucemia mieloide aguda é uma forma agressiva, que compromete a defesa do corpo e exige quimioterapia, imunoterapia ou até transplante de medula. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp À medida que o quadro clínico de Remi se agravava e ele precisava enfrentar sucessivas complicações decorrentes do tratamento, a cerimônia se tornou um objetivo que lhe dava forças para continuar lutando. Segundo Gabrieli, uma das perguntas mais frequentes feitas pelo pai durante a internação dizia respeito justamente à proximidade do casamento. Em meio à rotina hospitalar, ele queria saber quantos dias ainda faltavam para o grande dia. "Meu pai não queria que cancelássemos o casamento em nenhum momento. Aquela data era uma motivação para ele continuar lutando", relata a filha. Gabrieli Lira Lorandi e o pai Remi Domingos Lorandi Divulgação/ Maria Zotti Notícia três meses antes A história da família começou a mudar no dia 1º de julho de 2026, quando Remi recebeu o diagnóstico de leucemia mieloide aguda com cariótipo complexo. Desde então, a rotina de todos passou a girar em torno da doença e das tentativas de combater um câncer que exigia intervenção imediata. O primeiro protocolo quimioterápico não apresentou a resposta esperada. Foi então necessário iniciar uma segunda etapa de tratamento, ainda mais agressiva. Na sequência, surgiram infecções, complicações bacterianas e episódios que exigiram cuidados intensivos. Em determinado momento, precisou ser transferido para a UTI. Com o tempo, embora tenha conseguido se recuperar daquela fase crítica, novas intercorrências fizeram com que voltasse ao setor pouco tempo antes da data do casamento. Adiar a cerimônia? O evento havia sido marcado em janeiro. Quando o diagnóstico chegou, tudo já estava planejado e a família se viu diante de uma pergunta difícil: faria sentido manter a celebração diante de um cenário tão incerto? "Se imaginássemos que passaríamos por tudo isso, certamente não teríamos marcado uma data", relata. Segundo a filha, em nenhum momento Remi demonstrou vontade de suspender os planos. "Por isso, a família acreditava que cancelar poderia ser ainda mais doloroso para ele", comenta. Cerimônia virtual Devido ao estado de saúde do pai, a equipe médica alertava para os riscos envolvidos em qualquer deslocamento. Ao encarar a realidade, a família começou a elaborar uma alternativa. Com auxílio das psicólogas do hospital, a ideia era transmitir o casamento ao vivo para que ele acompanhasse tudo do quarto. "Depois, eu e meu noivo iríamos até lá, vestidos de noivos, para que ele pudesse nos ver e nos dar a bênção", comenta Gabrieli. Alta da UTI A reviravolta aconteceu poucos dias antes da cerimônia, quando Remi recebeu alta da UTI e retornou ao quarto. Foi então que o hematologista responsável pelo tratamento, doutor Thiago Daltoe, chamou a família para apresentar uma possibilidade. Segundo o médico, os avanços tecnológicos são fundamentais, mas não podem substituir a atenção dedicada às necessidades humanas dos pacientes. "Cuidar dos doentes implica em prestar atenção na pessoa a sua frente e não apenas na coleção de sintomas e exames que caracterizam as doenças" , ressalta Daltoe. De acordo com Gabrieli, o médico explicou que existiam duas opções: a primeira era manter o plano da transmissão online; a segunda consistia em organizar uma estrutura para transportá-lo até a igreja, utilizando uma ambulância de UTI móvel equipada e acompanhamento médico permanente. "Assim que explicamos as possibilidades, ele não hesitou. Disse imediatamente: 'Eu disse que ia no casamento e eu vou! Eu quero ir, eu quero ir, eu quero ir!'", relembra Gabrieli. Força-tarefa em menos de 24 horas Foi então que começou uma corrida contra o tempo para viabilizar toda a operação. Era necessário localizar uma empresa capaz de disponibilizar uma ambulância de UTI móvel, garantir a presença de médico durante todo o percurso e alinhar o transporte com a equipe do hospital. Ao mesmo tempo, profissionais do hospital organizaram uma logística especial para que ele pudesse sair do quarto, participar da cerimônia e retornar diretamente ao mesmo local após o casamento, evitando qualquer procedimento adicional de admissão hospitalar. O casamento Gabrieli Lira Lorandi e o pai Remi Domingos Lorandi Divulgação/ Maria Zotti Poucas pessoas sabiam que Remi poderia comparecer à cerimônia. Como a decisão dependia da evolução do quadro clínico até as horas finais, a família preferiu não criar expectativas nem divulgar a possibilidade aos convidados. Por isso, quando a ambulância chegou à igreja trazendo o pai da noiva, muitos convidados foram pegos de surpresa. Depois de 95 dias de internação, grande parte das pessoas presentes não tinha mais visto Remi pessoalmente. "Meu pai sempre foi uma pessoa muito ativa, alegre, de muita fé e sempre disposta a ajudar todo mundo. Era alguém que as pessoas estavam acostumadas a encontrar na rua, realizando suas atividades, conversando e convivendo com todos", diz a noiva. Encontro que a filha jamais esquecerá Desde que sonhou com o casamento, Gabrieli imaginava entrar na igreja ao lado do pai. Os planos precisaram ser adaptados por causa da condição física dele, já que Remi não poderia se levantar da cama. Quem assumiu a missão de conduzi-la até o noivo foi a mãe da noiva, companheira de Remi há 39 anos. "Quando entrei na igreja e me aproximei dele, meu pai estava muito emocionado, chorando. Cheguei pertinho e disse o quanto estava feliz por ele estar ali comigo. Ele me respondeu que também estava muito feliz, que queria muito estar naquele momento e que aquele era o lugar onde desejava estar", relembra. Foi nesse encontro que Remi fez o sinal da cruz na testa da filha, deu sua bênção ao casal e conversou com o genro. "Essa experiência mudou muito a maneira como enxergamos a vida. Aprendemos a valorizar ainda mais os momentos, as pessoas e as pequenas conquistas. Nosso casamento aconteceu em meio a uma das maiores provações que nossa família já enfrentou, mas também foi um dos momentos mais felizes das nossas vidas", diz. O retorno ao hospital Assim que a cerimônia terminou, Remi foi levado novamente pela ambulância para o hospital, retornando diretamente ao mesmo quarto em que estava internado. Atualmente, ele continua internado e enfrenta novos desafios relacionados ao tratamento. Apesar disso, a família comemora avanços considerados importantes: ele já não necessita de oxigênio, não utiliza sondas e voltou a se alimentar sozinho. Casamento de Gabrieli Lira Lorandi e Cássio Fernando Aguiar Mello Divulgação/ Maria Zotti VÍDEOS: Tudo sobre o RS

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